Metropolis - A Obra-Prima de Fritz Lang no 40.º Aniversário do CCIT

Metropolis


A Obra-Prima de Fritz Lang no 40.º Aniversário

do Cine-Clube da Ilha Terceira
 

 
Metrópolis é um dos últimos filmes mudos de Fritz Lang (1890-1976) e, desde há muito, um clássico da ficção-científica. Estreado em 1927, na Alemanha, foi exibido em Portugal no ano seguinte. O sucesso comercial foi nulo e o filme considerado excessivamente longo, o que levou a que fosse amputado de várias cenas para distribuição internacional. Por sorte, em 2008, encontrou-se uma cópia completa do filme original, tendo sido restaurada e lançada em 2010. É essa a versão que o Cine-Clube da Ilha Terceira apresenta no seu 40.º aniversário, no dia 30 de setembro, pelas 21 horas, na sala de cinema da Sociedade Filarmónica de Instrução e Recreio dos Artistas.



O realizador, Fritz Lang, de nacionalidade alemã, passou uma curta temporada nos EUA, em cujas cidades se baseou para idealizar os cenários do seu Metrópolis, cuja trama foi criada pela sua mulher Thea Von Harbou. Assim, temos uma cidade grandiosa e mecanizada, do século XXI (ano 2026), onde convivem e se antagonizam duas classes bem definidas: os ricos (que desfrutam das belezas e fausto da superfície da cidade) e os operários (que vivem num mundo subterrâneo, abaixo do nível das máquinas).



Metrópolis foi filmado a preto e branco e contou com uma produção de luxo: grandes cenários, máquinas, raios elétricos e sombrios efeitos especiais. Além do expressionismo e da modernidade técnica, é um filme vanguardista, que revela a sua atualidade ao mostrar-nos a opressão e a manipulação social. Não é, pois, uma obra sobre o mundo desenvolvido e utópico, mas sobre uma sociedade desigual, onde uns vivem anestesiados pelo bem-estar e outros sofrem os dissabores da mecanização. Mas, como tantas vezes acontece nas histórias, o amor vem alterar o curso natural dos acontecimentos. Pelo meio, temos outras tramas narrativas, como o aparecimento de um dos primeiros robôs da história.



O desempenho dos atores, com representações nítidas, fortes e expressivas e a tensão social de Metrópolis, com os seus fundos sombrios, quase surreais, e ritmo orquestral, contribuem para o sucesso deste filme, que continua a encantar cinéfilos em todo o mundo. Prova disso mesmo foi o sucesso obtido em 2010, aquando da exibição na Berlinale da cópia restaurada. Refira-se também as influências de Lang nas obras de realizadores como Alfred Hitchcock, Luis Buñuel e Orson Welles, quer no plano técnico, quer na expressividade ou nos processos narrativos. O filme deixou também marcas em vários escritores, autores de BD, realizadores, criadores de videojogos e em certos movimentos urbanos.


Quanto à narrativa, o filme transporta-nos ao ano de 2026, época em que os poderosos vivem à superfície, onde se encontra o Jardim dos Prazeres, destinado aos filhos dos mestres. Os operários, em regime de escravidão, estão confinados ao mundo subterrâneo, onde se encontra a Cidade dos Trabalhadores. A cidade é governada por Joh Fredersen (Alfred Abel), um insensível capitalista cujo único filho, Freder (Gustav Fröhlich), leva uma vida idílica, desfrutando dos maravilhosos jardins. Um dia, conhece Maria (Brigitte Helm), a líder espiritual dos operários, que cuida dos filhos dos escravos, e que o desperta para o contraste social existente. Em conversa com o pai, este diz-lhe que é assim que as coisas devem ser. Paralelamente, Rotwang (Rudolf Klein-Rogge), um inventor louco ao serviço de Joh, diz ao patrão que o seu trabalho está concluído, pois já criou um robô à imagem do homem, deixando assim de haver necessidade de trabalhadores humanos. Em breve, afiança, haverá um robô que não se diferenciará de um ser humano. Mas algo se passa no mundo subterrâneo.


Joh e Rotwang decidem espiar os habitantes do submundo, usando uma passagem secreta. Ao assistirem a uma reunião, onde Maria implora aos operários que rejeitem o uso de violência para melhorarem o destino e que tenham sempre em mente o amor, Joh fica furioso com esta insubordinação e ordena a Rotwang que o robô tome a aparência de Maria, para que se infiltre entre os operários e semeie a discórdia, destruindo a confiança que sentem por ela. Joh calculou mal a sua vingança, pois o filho, Freder, está realmente apaixonado por Maria.


Ponto alto é, sem dúvida, o final, onde a metáfora "O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração!" se concretiza no simbólico aperto de mão entre Grot (líder dos trabalhadores) e Jon Fredersen (o empresário). O que é que isso significa? Cada espetador saberá a resposta.


Carlos Bessa

(Cine-Clube da Ilha Terceira)

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